Por Alexandre Perlingeiro*
Tendemos, de uma maneira geral, a associar a nossa auto-estima com situações externas de nossa vida. Por exemplo, uma pessoa desempregada tenderá a ter uma baixa auto-estima. Um homem que tenha uma grande ereção tenderá a ter uma alta auto-estima. é o objeto fálico (de poder) definido por Freud. Se possuo esse objeto, sou - estou, em realidade - poderoso.
Notem que é uma decisão provisória. Se a pessoa conseguir um emprego sua auto-estima subirá e se o homem tiver problemas de impotência, sua auto-estima despencará.
Esses casos são exemplos do que eu chamo de auto-estima condicionada ou dependente. A auto-estima de uma pessoa está condicionada a fatores externos a ela e depende desses outros fatores.
A maioria de nós está nessa situação. É o que no Tantra é chamado de personalidade extrovertida, ou seja, aquele que condiciona sua felicidade a fatores externos (riqueza, prazer, poder, status, beleza, etc.). Em nível energético, os chakras estão energizados no nível mais superficial apenas, o das pétalas. Neste caso específico da auto-estima, o Manipura Chakra está pouco energizado.
A partir do nível intermediário (botão) e principalmente no nível mais profundo (raiz), a auto-estima deixa de ser condicionada a fatores externos, tornando-se incondicionada ou independente (desses fatores externos). É o aprofundamento na energização do Manipura. Nos exemplos dados, se estou desempregado, minha auto-estima não será afetada por isto. Não me sentirei pior do que ninguém por causa disso. É claro que será uma situação desconfortável que procurarei resolver (vou procurar outro emprego, afinal, preciso me sustentar). Mas isso não afetará minha auto-estima.
O inverso também é válido. Não me sentirei melhor do que ninguém se tiver uma ereção prolongada e um hiper-orgasmo - mesmo esse fato sendo algo que me deixa muito feliz, obviamente.
Nesse estágio de energização (ao nível da raiz dos chakras, não se busca o prazer nem se se afasta do desprazer. Ambos são lados da mesma moeda, situações que se alternam ciclicamente. Eu sou a testemunha que se mantém imóvel observando essas oscilações.
Aliás, nesse nível, começa a não fazer mais sentido a idéia de auto-estima pois já começa a desaparecer a identificaão com o ego. Vejam que o ego permanece, mas não estou mais identificado com ele. Se percebo que não sou o eu limitado, se sou o ilimitado, a auto-estima, que é relativa (referenciada sempre na relação com o outro), deixa de existir. Da mesma maneira como estou desapegado do ego, também me desapego da noção de ser melhor ou pior do que os outros. A onda não se considera diferente do oceano - nem das outras ondas.
A meta, portanto, é perceber que já sou independente ou antes de ser melhor ou pior do que alguém.
*Alexandre Perlingeiro é Mestre em Dakshina Tantra Yoga